O pacto silencioso que salva empresas em crise: o acordo de standstill

Nem toda recuperação começa em tribunal. Muitas vezes, o que salva uma empresa em crise não é uma liminar, mas um pacto de silêncio e prudência entre credores e devedores. É disso que se trata o acordo de standstill, um instrumento cada vez mais utilizado por empresas que enfrentam desequilíbrio financeiro e precisam de tempo para reorganizar suas contas.

O que é o acordo de standstill

O termo vem do inglês stand still, que significa "ficar parado", e descreve com precisão sua essência: uma suspensão temporária das cobranças e ações de execução, durante a qual as partes se comprometem a não agravar o conflito enquanto trabalham em uma solução estruturada.

Funcionamento prático

Na prática, o acordo de standstill é um armistício financeiro, firmado entre a empresa e seus principais credores, que estabelece um período de trégua — normalmente de 60 a 180 dias — para permitir negociações de reestruturação. Durante esse tempo, os credores suspendem medidas de cobrança, o devedor mantém a transparência de suas informações financeiras e todos se comprometem a buscar um plano conjunto de reequilíbrio.

Vantagens para ambas as partes

A vantagem do standstill é dupla. Para o devedor, ele representa tempo e estabilidade: a empresa consegue manter operações, evitar bloqueios e planejar um plano de pagamento realista. Para os credores, significa previsibilidade e preservação de valor, pois uma empresa em funcionamento vale mais do que uma empresa executada.

Em síntese, o acordo de standstill é uma ferramenta de inteligência negocial, que traduz em prática o princípio da preservação da empresa e da cooperação entre credores. Ele mostra que a solução para a crise nem sempre está em mais ações judiciais, mas em saber parar, negociar e reconstruir com método.

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