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Empresa endividada: os caminhos jurídicos antes e além da recuperação judicial

Geile Lüttjohann

Geile Lüttjohann

Sócia Advogada

Pós-graduada em Direito Bancário e Direito Empresarial. Mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro. Ex-Gerente Executiva de Análise de Crédito do Banrisul. Especializações pela FGV e Insper em Crédito, Gestão Financeira, Contabilidade, Recuperação de Empresas e Gestão de Riscos. Diversas certificações em Direito do Agronegócio.

O endividamento de uma empresa raramente nasce de um único erro. Ele se acumula em ciclos: a queda de faturamento leva ao capital de giro caro, o capital de giro caro consome a margem, a margem consumida força novas dívidas para pagar as anteriores. Quando os vencimentos passam a ditar a rotina da gestão, a empresa deixou de administrar o negócio e passou a administrar credores.

O direito oferece instrumentos para interromper esse ciclo. A escolha entre eles depende do diagnóstico correto da situação financeira, e é aqui que a análise técnica precisa vir antes da medida judicial.

Primeiro passo: auditar a dívida

Boa parte do passivo bancário empresarial comporta discussão. Contratos de capital de giro, cédulas de crédito bancário, contas garantidas e operações de desconto frequentemente contêm encargos passíveis de revisão: capitalização em desacordo com o pactuado, tarifas sem contrapartida de serviço, cumulação indevida de comissão de permanência com outros encargos moratórios, garantias excessivas em relação ao valor da operação.

A revisão judicial ou a utilização desses pontos como matéria de defesa em execuções pode reduzir de forma relevante o valor real do passivo. Uma dívida auditada é também uma dívida que se renegocia em outra posição: o credor que sabe que o título comporta discussão séria negocia de forma diferente.

Renegociação estruturada

A renegociação extrajudicial continua sendo, na maioria dos casos, o caminho mais eficiente. Mas renegociar sem critério técnico costuma apenas adiar o problema, transformando dívida vencida em dívida nova com encargos maiores e garantias adicionais, inclusive pessoais, dos sócios.

Uma renegociação estruturada parte da capacidade real de pagamento da empresa, apurada em análise econômico-financeira, e não da parcela que o banco propõe. Define o que a empresa consegue pagar, em qual prazo, e quais garantias são proporcionais. A experiência de quem atuou dentro de comitês de crédito bancário permite antecipar os critérios que a instituição usará na análise e construir propostas com chance concreta de aprovação.

Recuperação judicial: quando e para quê

Quando o passivo supera a capacidade de reorganização voluntária, a Lei 11.101/2005 disponibiliza a recuperação judicial. O deferimento do processamento suspende, em regra, as execuções contra a empresa pelo prazo legal (o chamado stay period do art. 6º), criando o ambiente de negociação coletiva com os credores por meio do plano de recuperação.

A recuperação judicial não é atestado de falência iminente, e sim instrumento de preservação da empresa, dos empregos e da função social prevista no art. 47 da lei. Exige, porém, preparação séria: documentação contábil consistente, plano de viabilidade realista e estratégia para as classes de credores. Também há limites que precisam ser conhecidos desde o início, como o tratamento diferenciado do credor fiduciário, que em regra não se submete aos efeitos do plano, ressalvada a proteção dos bens de capital essenciais à atividade durante o stay period.

Para o produtor rural pessoa física ou jurídica, a lei passou a prever expressamente a possibilidade de recuperação judicial, com regras próprias de comprovação do exercício da atividade, o que ampliou de forma significativa o alcance do instituto no agronegócio.

O erro mais caro: esperar demais

O padrão que observamos na prática é o mesmo: a empresa procura auxílio jurídico depois da execução ajuizada, do bloqueio de contas e da garantia excutida. Cada etapa perdida reduz o leque de soluções. O diagnóstico precoce, ao contrário, permite escolher o instrumento, o momento e a ordem das medidas, em vez de apenas reagir às iniciativas dos credores.

Conteúdo informativo. Cada caso exige análise individual. A Lüttjohann & Soares Advocacia atua em reestruturação de passivo bancário empresarial e recuperação judicial, em parceria técnica com consultoria econômico-financeira para laudos de capacidade de pagamento.

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Renegociação com bancos e credores, revisão de contratos, defesa em execuções e proteção do patrimônio. É este o nosso trabalho, todos os dias.

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Aliamos estratégia jurídica e análise financeira: a dívida é recalculada, a capacidade de pagamento é medida e cada tese chega à mesa sustentada por números.

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Foram 15 anos dentro de bancos, analisando e aprovando crédito em comitê. Sabemos como o credor pensa, o que ele aceita e onde ele cede. E usamos isso a seu favor.

“A advocacia não é profissão para covardes.”

A frase é de Sobral Pinto e resume a nossa forma de atuar: enfrentar bancos, credores e situações de crise exige coragem, técnica e independência. É assim que conduzimos cada caso.

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Geile Lüttjohann, Sócia Advogada
Geile Lüttjohann
Sócia Advogada
Geile LüttjohannOAB/RS 102.625 · OAB/SC 77.445-A

Pós-graduada em Direito Bancário e Direito Empresarial. Mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro. Ex-Gerente Executiva de Análise de Crédito do Banrisul. Especializações pela FGV e Insper em Crédito, Gestão Financeira, Contabilidade, Recuperação de Empresas e Gestão de Riscos. Diversas certificações em Direito do Agronegócio.

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Adriana SoaresOAB/RS 136.447

Pós-graduada em Direito Civil. Certificações em Direito Bancário, Empresarial, do Agronegócio e Tributário.

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Jorge Ferreira, CFA

Mestre em Contabilidade e CFA Charterholder. Especializações em Avaliação de Empresas, Reestruturação de Empresas e Fusões e Aquisições (Insper). Ex-Superintendente Executivo dos Comitês de Crédito do Banrisul.

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