HomeEquipeArtigosContato
Serviços
Direito BancárioRecuperação Judicial e Reestruturação de DívidasEndividamento EmpresarialEndividamento do Produtor Rural
Fale conosco
← Artigos

Golpe do Pix errado: como reconhecer e o que fazer

Geile Lüttjohann

Geile Lüttjohann

Sócia Advogada

Pós-graduada em Direito Bancário e Direito Empresarial. Mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro. Ex-Gerente Executiva de Análise de Crédito do Banrisul. Especializações pela FGV e Insper em Crédito, Gestão Financeira, Contabilidade, Recuperação de Empresas e Gestão de Riscos. Diversas certificações em Direito do Agronegócio.

O golpe do Pix errado começa com dinheiro entrando na sua conta, e é por isso que funciona. Você recebe um Pix que não esperava, minutos depois alguém liga ou manda mensagem dizendo que errou o destinatário e pede a devolução, com pressa, para uma chave diferente da que enviou. Você devolve, por educação. Dias depois, o remetente original contesta a transação no banco alegando fraude, o valor é retirado da sua conta pelo mecanismo de devolução do Pix, e você descobre que pagou duas vezes, uma para o golpista e outra de volta ao remetente. Em algumas versões, o dinheiro que entrou nem era do golpista: era de outra vítima, e a sua conta virou passagem de dinheiro de crime.

Do lado do banco, vi esse golpe crescer junto com o Pix e vi o mecanismo de devolução ser usado contra quem tinha agido de boa-fé. Este artigo explica como reconhecer, como devolver sem cair e o que fazer se já caiu.

Como reconhecer

Cinco sinais, e basta um. O Pix recebido vem de pessoa desconhecida. O contato pedindo devolução chega rápido, com urgência e tom emocional. A devolução é pedida para uma chave, uma conta ou um nome diferentes do remetente original. Há pressão para não "envolver o banco" ou para "resolver agora". E, na versão com comprovante, o comprovante enviado por mensagem não bate com o extrato, porque o Pix nunca entrou.

Pix errado de verdade existe, e a pessoa que errou tem direito à devolução. A diferença está no caminho: quem errou de boa-fé aceita a devolução pela função própria do aplicativo, para a mesma conta de origem, e não pede pressa nem chave diferente.

Como devolver com segurança

Todo aplicativo tem, na transação recebida, a função "devolver". Ela envia o valor de volta à conta de origem, vinculada à transação original, e fica registrada como devolução. É o único modo seguro. Devolver por um Pix novo, para a chave que a pessoa mandou por mensagem, é o que o golpe precisa: a devolução deixa de ter vínculo com a transação recebida, o remetente original pode contestar e o valor sai de novo da sua conta.

Antes de devolver, confira no extrato se o valor entrou de fato, e de quem. Se o remetente é desconhecido e o pedido tem os sinais acima, não devolva por conta própria: comunique o banco pelo canal oficial, registre o protocolo e peça orientação, porque o próprio banco pode fazer a devolução à origem.

O que diz a lei sobre o Pix recebido por engano

Quem recebe valor que não lhe pertence tem o dever de restituir, porque ninguém pode enriquecer sem causa (art. 884 do Código Civil), e ficar com o dinheiro sabendo que não é seu pode configurar apropriação indébita de coisa havida por erro (art. 169 do Código Penal). A obrigação existe; o que muda é a forma de cumpri-la, que é a devolução pela função do aplicativo ou por intermédio do banco, nunca por Pix novo a terceiro.

Se você já caiu

Comunique o banco imediatamente pelo canal oficial, relate o golpe e peça a contestação da transação de devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução, que o Banco Central criou para fraudes e falhas (Resolução BCB 103/2021), e que pode ser acionado em até 80 dias da transação. Registre boletim de ocorrência, presencial ou eletrônico, com os prints das mensagens, o comprovante do Pix recebido e o da devolução. Guarde tudo: número de telefone, chave usada, nome que apareceu na devolução, horários.

Se o valor foi retirado da sua conta por contestação do remetente original, peça ao banco a justificativa por escrito e conteste a retirada, com a prova de que você devolveu de boa-fé. O banco tem dever de segurança e de informação (art. 14 do CDC; Súmula 479 do STJ), e a retirada de valor da conta de quem agiu de boa-fé, sem apuração, é discutível.

Se a sua conta recebeu dinheiro de outra vítima, o boletim de ocorrência e a comunicação ao banco são o que separa a sua posição da do golpista, porque a conta pode ser marcada como suspeita no sistema do Pix e bloqueada.

Preciso de um advogado para isso?

Para devolver o Pix pela função correta, comunicar o banco e registrar o boletim, não necessariamente; é o que fazer nas primeiras horas, e o tempo importa. Mas é importante documentar tudo desde o início, porque a discussão posterior, no banco ou em juízo, depende de provar a boa-fé e o caminho da devolução.

A resposta é sim, sem alternativa, quando o banco retirou o valor da sua conta e nega a reversão, quando a sua conta foi bloqueada como suspeita, ou quando há investigação criminal em que você aparece como destinatário de dinheiro de vítima, porque a defesa nesses casos é técnica e tem prazo. A ação contra o banco corre no Juizado Especial até quarenta salários mínimos, com advogado obrigatório acima de vinte (art. 9º da Lei 9.099/1995).

O que faço nesses casos: reconstruo o fluxo do dinheiro com os comprovantes, demonstro a boa-fé e o caminho da devolução, conteste no banco a retirada e, se preciso, ajuízo a ação contra o banco pela falha de segurança ou apresento a defesa na investigação. Quem conhece o mecanismo de devolução por dentro sabe o que o banco precisa ver para reverter.

Perguntas frequentes

Recebi um Pix errado. Sou obrigado a devolver?

Sim, quem recebe valor que não lhe pertence deve restituir (art. 884 do Código Civil), e ficar com ele pode ser apropriação indébita (art. 169 do Código Penal). Devolva pela função "devolver" do aplicativo, à conta de origem, ou pelo banco; nunca por Pix novo a outra chave.

Como sei se é golpe do Pix errado?

Remetente desconhecido, pedido de devolução rápido e com urgência, chave ou nome diferentes do remetente, pressão para não envolver o banco e comprovante que não bate com o extrato. Um sinal basta para não devolver por conta própria.

Devolvi por outra chave e o valor saiu da minha conta de novo. E agora?

Comunique o banco, conteste a retirada pelo Mecanismo Especial de Devolução com a prova da sua devolução de boa-fé, registre boletim de ocorrência e peça a justificativa da retirada por escrito. A reversão depende de mostrar o caminho do dinheiro.

Posso simplesmente ignorar o Pix recebido por engano?

Não. O dever de restituir existe. O que se deve evitar é devolver a quem pede, e não a quem enviou. Comunique o banco e devolva pelo canal oficial.

Conteúdo informativo. Cada caso exige análise individual. A Lüttjohann & Soares Advocacia atua na revisão de contratos bancários e na defesa de clientes endividados no RS e em SC.

Especialistas em endividamento 

Renegociação com bancos e credores, revisão de contratos, defesa em execuções e proteção do patrimônio. É este o nosso trabalho, todos os dias.

Onde o Direito encontra o financeiro 

Aliamos estratégia jurídica e análise financeira: a dívida é recalculada, a capacidade de pagamento é medida e cada tese chega à mesa sustentada por números.

Conhecemos o outro lado 

Foram 15 anos dentro de bancos, analisando e aprovando crédito em comitê. Sabemos como o credor pensa, o que ele aceita e onde ele cede. E usamos isso a seu favor.

“A advocacia não é profissão para covardes.”

A frase é de Sobral Pinto e resume a nossa forma de atuar: enfrentar bancos, credores e situações de crise exige coragem, técnica e independência. É assim que conduzimos cada caso.

Áreas de atuação

Direito Bancário

Direito Bancário

Somos especialistas em Direito Bancário: revisão de contratos e juros, defesa em execuções e busca e apreensão, proteção do patrimônio e negociação direta com as instituições financeiras.

Saiba mais
Endividamento Empresarial

Endividamento Empresarial

Advocacia para empresas endividadas: reestruturação de dívidas, renegociação com bancos e fornecedores, recuperação judicial e defesa contra falência, com proteção do patrimônio dos sócios.

Saiba mais
Endividamento do Produtor Rural

Endividamento do Produtor Rural

Dívidas da atividade rural: renegociação de crédito rural, CPRs e dívidas com fornecedores, defesa em execuções, sustação de leilões, proteção do patrimônio rural e recuperação judicial do produtor.

Saiba mais
L·SFoto em breve
Geile Lüttjohann, Sócia Advogada
Geile Lüttjohann
Sócia Advogada
Geile LüttjohannOAB/RS 102.625 · OAB/SC 77.445-A

Pós-graduada em Direito Bancário e Direito Empresarial. Mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro. Ex-Gerente Executiva de Análise de Crédito do Banrisul. Especializações pela FGV e Insper em Crédito, Gestão Financeira, Contabilidade, Recuperação de Empresas e Gestão de Riscos. Diversas certificações em Direito do Agronegócio.

L·SFoto em breve
Adriana Soares, Sócia Advogada
Adriana Soares
Sócia Advogada
Adriana SoaresOAB/RS 136.447

Pós-graduada em Direito Civil. Certificações em Direito Bancário, Empresarial, do Agronegócio e Tributário.

L·SFoto em breve
Jorge Ferreira, CFA, Economista
Jorge Ferreira, CFA
Economista
Jorge Ferreira, CFA

Mestre em Contabilidade e CFA Charterholder. Especializações em Avaliação de Empresas, Reestruturação de Empresas e Fusões e Aquisições (Insper). Ex-Superintendente Executivo dos Comitês de Crédito do Banrisul.

L·SFoto em breve
Nicolas Schmitz, Advogado
Nicolas Schmitz
Advogado
Nicolas SchmitzOAB/RS 141.332

L·SFoto em breve
Stefani Chaves, Assistente Jurídica
Stefani Chaves
Assistente Jurídica
Stefani Chaves

Bacharel em Direito.

Seja qual for a sua situação, vamos resolver?

Conte o seu caso para a nossa equipe e receba a indicação do melhor caminho.

Continue lendo

Leia também

Vamos conversar sobre o seu caso

Deixe seus dados e a nossa equipe retorna para entender o seu caso e indicar o melhor caminho. Se preferir, fale agora mesmo pelo WhatsApp.

Como prefere receber nosso contato? *

Usamos seus dados apenas para retornar o seu contato.