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O que a queda da Selic muda no seu contrato bancário

Geile Lüttjohann

Geile Lüttjohann

Sócia Advogada

Pós-graduada em Direito Bancário e Direito Empresarial. Mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro. Ex-Gerente Executiva de Análise de Crédito do Banrisul. Especializações pela FGV e Insper em Crédito, Gestão Financeira, Contabilidade, Recuperação de Empresas e Gestão de Riscos. Diversas certificações em Direito do Agronegócio.

Na reunião de 5 de agosto de 2026, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14% ao ano, no quarto corte consecutivo do ciclo, em decisão unânime. A próxima reunião está marcada para meados de setembro, e o mercado projeta a continuidade das reduções.

A pergunta que chega ao escritório é direta: minha dívida vai ficar mais barata? A resposta honesta é: depende de uma cláusula do seu contrato.

Pré-fixado ou pós-fixado: a cláusula que decide tudo

Nos contratos com taxa pré-fixada, os juros foram travados no momento da assinatura. Se a operação foi contratada no pico do ciclo de aperto monetário, aquele custo permanece o mesmo até o fim, independentemente do que o Copom decida. A queda da Selic não altera automaticamente a parcela.

Nos contratos pós-fixados, a remuneração é atrelada a um indexador que acompanha a política monetária, tipicamente o CDI, a própria Selic ou a TR somados a um spread fixo. Nesses casos, a queda da taxa básica se transmite ao custo da dívida nas competências seguintes, reduzindo os encargos ao longo do tempo.

Há ainda contratos híbridos e cláusulas menos transparentes, em que o indexador aparece camuflado ou é aplicado de forma diversa do pactuado. É nesse território que a análise técnica encontra as maiores distorções.

O que pode ser discutido juridicamente

A mudança de ciclo da política monetária abre três frentes de atuação.

A primeira é a conferência da aplicação do indexador. Em contratos pós-fixados, verificamos se a queda do CDI e da Selic está efetivamente refletida nas parcelas e nos saldos devedores, refazendo a evolução da dívida. Divergências entre a taxa pactuada e a taxa praticada são mais comuns do que se imagina, especialmente em operações renegociadas várias vezes.

A segunda é a função do indexador. O STJ tem entendimento no sentido de que índices de remuneração de capital, como o CDI, não se prestam a servir de correção monetária, porque embutem juro real e não apenas recomposição inflacionária. Contratos que utilizam o indexador com dupla função, remunerando e corrigindo ao mesmo tempo, comportam revisão.

A terceira é a oportunidade de reestruturação. O ciclo de queda de juros muda a matemática da portabilidade de crédito e da renegociação. Dívidas pré-fixadas contratadas no auge do aperto monetário podem ser substituídas por operações mais baratas, e a portabilidade é direito do devedor regulamentado pelo Conselho Monetário Nacional, que o banco de origem não pode obstruir. Para o produtor rural e para a empresa endividada, este é o momento de recalcular o custo total do passivo e reabrir a mesa de negociação em posição melhor.

Um alerta sobre expectativas

A Selic em queda não significa crédito barato. A taxa segue em patamar restritivo, e o spread bancário brasileiro continua elevado. A diferença entre o custo de captação do banco, que cai com a Selic, e a taxa cobrada do cliente, que muitas vezes não cai na mesma proporção, é exatamente o espaço onde a revisão contratual e a negociação técnica atuam.

Antes de aceitar qualquer proposta de renegociação neste novo cenário, vale a pergunta: a nova operação repassa a queda dos juros ou apenas alonga a dívida mantendo o custo antigo?

Conteúdo informativo. Cada caso exige análise individual. A Lüttjohann & Soares Advocacia realiza auditoria de contratos bancários e recálculo de evolução de dívida com suporte técnico econômico-financeiro.

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Renegociação com bancos e credores, revisão de contratos, defesa em execuções e proteção do patrimônio. É este o nosso trabalho, todos os dias.

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Aliamos estratégia jurídica e análise financeira: a dívida é recalculada, a capacidade de pagamento é medida e cada tese chega à mesa sustentada por números.

Conhecemos o outro lado 

Foram 15 anos dentro de bancos, analisando e aprovando crédito em comitê. Sabemos como o credor pensa, o que ele aceita e onde ele cede. E usamos isso a seu favor.

“A advocacia não é profissão para covardes.”

A frase é de Sobral Pinto e resume a nossa forma de atuar: enfrentar bancos, credores e situações de crise exige coragem, técnica e independência. É assim que conduzimos cada caso.

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Geile Lüttjohann, Sócia Advogada
Geile Lüttjohann
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Geile LüttjohannOAB/RS 102.625 · OAB/SC 77.445-A

Pós-graduada em Direito Bancário e Direito Empresarial. Mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro. Ex-Gerente Executiva de Análise de Crédito do Banrisul. Especializações pela FGV e Insper em Crédito, Gestão Financeira, Contabilidade, Recuperação de Empresas e Gestão de Riscos. Diversas certificações em Direito do Agronegócio.

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Adriana SoaresOAB/RS 136.447

Pós-graduada em Direito Civil. Certificações em Direito Bancário, Empresarial, do Agronegócio e Tributário.

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Jorge Ferreira, CFA, Economista
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Mestre em Contabilidade e CFA Charterholder. Especializações em Avaliação de Empresas, Reestruturação de Empresas e Fusões e Aquisições (Insper). Ex-Superintendente Executivo dos Comitês de Crédito do Banrisul.

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